A sensação poderia ser descrita como: me sentir como um escravo recém liberto. Estou sem os grilhões do trabalho, do estresse diário, do consumismo urbano (porque as lojas estão todas fechadas) mas não tenho outra vida para viver. Estou como um pássaro domesticado que é solto e tromba com a cara em todas as paredes da casa, até ficar agarrado em alguma janela ou preso debaixo da tampa de vidro da mesa da copa. Não estou livre, estou apenas no pátio recreativo esperando passarem minhas horas (umas 72) de descanso para então voltar ao dia-a-dia.
Mas não se engane, não há pássaros livres, apenas tentativas afoitas de sobrevivência. E nesse quesito, nós pássaros de gaiola estamos sempre um passo a frente. Poderia viajar, mas sei que no final o outro dia é sempre o outro dia, no final da transa, o orgasmo, depois do orgasmo, a roupa intima, um cigarro ou um cochilo. Quiçá tudo isso.
No final todo caviar vira ração. No final, é igual ao começo. Apenas uma página branca.
Prefiro concordar que "nós não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois como as águas, nós mesmos já somos outros".
ResponderExcluirMesmo que pareça, mesmo que o dia a dia possa nos dar a impressão de que nada mudou, alguns detalhes ao longo do tempo nos fazem mudar, nos fazem ver que carregamos com a gente sempre um pouco do que interagimos e relacionamos, por isso uma página em branco é difícil pra mim de crer, pq por mais que a transa seja igual, o momento é diferente, e o que vou levar disso tbm o é.
Mas acho que só veremos isso quando olharmos pro passado, com a nostalgia nos ajudando a entender como eram bons aqueles tempos e como esse tempo nos mudou.
o lance é que tudo é igual sim. só tem leves nuances de diferença.
ResponderExcluirtalvez dentro da gente, o que torna tudo mais complicado de compreender.
bjs
Jana
No final todo caviar vira ração, e toda Ferrari vira um Fusca.
ResponderExcluirFato.